No distrito de salinas de Sichuan que ficou conhecido como Zigong, perfurar um poço profundo de salmoura era um empreendimento de vários anos e de alto custo — a tecnologia de perfuração profunda a partir da década de 1820 permitia que os poços alcançassem quase três mil pés, exigindo anos de trabalho intensivo em mão de obra, sem garantia do que o poço realmente produziria. Um poço podia render salmoura rica, gás natural, ambos ou efetivamente nada, e não havia como saber de antemão qual resultado um determinado poço entregaria.
Nenhum investidor individual, por mais rico que fosse, queria financiar anos de perfuração por um retorno que poderia ser salmoura, poderia ser gás, poderia ser ambos juntos ou poderia não ser nada, e os comerciantes de sal de Sichuan não tinham um sistema bancário industrial nem uma lei formal de responsabilidade limitada a que recorrer para diluir esse risco. A resposta óbvia — um investidor ou uma sociedade detendo o poço inteiro e tudo o que ele viesse eventualmente a produzir — significava que todo financiador ficava exposto à incerteza total e indiferenciada de uma aposta de vários anos sobre uma produção que ninguém podia prever.
Dividir os riscos do poço em contratos separados — perfuração, forno, salmoura, gás — de modo que cada parte assumisse apenas a fatia que escolheu, diluindo o risco sem bancos nem direito societário.
Contratos separados permitiam que cada parte escolhesse qual risco assumir, evitando a necessidade de aceitar a aposta inteira.
Isso atraía investidores menores, que podiam financiar apenas a perfuração ou arrendar apenas o gás, reunindo capital sem bancos formais.
A estrutura contratual substituía instituições jurídicas ausentes, viabilizando a formação de capital industrial em larga escala.
Quando a produção de um empreendimento é incerta e multidimensional, desagregue os riscos em contratos separados para que cada parte possa deter apenas a fatia que deseja.
A estrutura contratual permitiu que a indústria salineira de Zigong mobilizasse capital em uma escala que nenhum modelo de proprietário único ou de sociedade simples poderia igualar, e, no final do século XIX, Zigong havia se tornado o maior centro industrial da China, construído quase inteiramente sobre capital organizado privadamente e direito contratual, e não sobre investimento estatal ou bancos formais.
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As fontes
- Review of The Merchants of Zigong: Industrial Entrepreneurship in Early Modern China EH.Net, Economic History Association · eh.net
- Hirzel on Zelin, 'The Merchants of Zigong: Industrial Entrepreneurship in Early Modern China' H-Net Reviews · networks.h-net.org