O Grupo Mateus, varejista nascido em São Luís, Maranhão, opera hoje mais de 300 lojas no Norte e no Nordeste do Brasil — regiões que ficam a até 2.700 km das indústrias paulistas que abastecem a maior parte do varejo brasileiro. Atender essas gôndolas apenas com caminhões é caro, lento e imprevisível, e por isso a resposta do grupo virou um modelo na imprensa especializada em logística brasileira.

Desde agosto de 2025, o grupo reabastece seus centros de distribuição do Norte por uma rota multimodal montada com a Brado Logística: coleta por caminhão nas fábricas, cerca de 2.400 km na Ferrovia Norte-Sul entre Sumaré (SP) e Davinópolis (MA) e, em seguida, transporte rodoviário regional até os CDs de São Luís e de Santa Izabel do Pará. Até junho de 2026, a operação havia movimentado 24.200 toneladas e 1.082 contêineres de produtos de alto giro (Tecnologística). O vice-presidente de operações e logística do Grupo Mateus, Sandro Oliveira, atribui à rota “capacidade, fluxos otimizados, segurança e previsibilidade das entregas”.

Ao desenho do frete corresponde um desenho de sortimento documentado em entrevista ao SA+ em setembro de 2026: o mix é revisado continuamente e região por região — giro de vendas, cobertura de estoque, tempo de permanência, produtividade por metro linear e o papel estratégico de cada SKU —, mas nunca apenas pela média da rede. Oliveira: entender os hábitos de consumo locais é essencial, “preservando produtos relevantes para determinadas regiões mesmo quando se comportam de forma diferente da média da rede”. O objetivo declarado: “não mais produtos, mas os produtos certos”.

Juntas, as duas iniciativas fecham o ciclo que a distância abre: a ferrovia comprime o custo e a variância do trecho longo, e o sortimento regionalizado mantém o giro de estoque e as margens altos o suficiente para pagá-lo — menos rupturas, menos complexidade operacional, mais metros lineares produtivos.

A ferrovia como eixo; os caminhões apenas nas duas pontas

As distâncias do interior do Brasil tornam o reabastecimento exclusivamente rodoviário estruturalmente antieconômico; a ferrovia percorre o longo trecho central com menor custo por tonelada-quilômetro, além de menos acidentes e furtos.

Os caminhões ficam reservados exatamente para os trechos em que a flexibilidade importa — a coleta nas fábricas e a distribuição final capilar —, de modo que nenhuma capacidade fica ociosa.

A regularidade da ferrovia confere previsibilidade às entregas, o que importa tanto mais quanto mais distante a loja estiver do fornecedor.

O sortimento regionalizado (dados mais hábitos locais) eleva o giro e a produtividade das gôndolas, de modo que a economia logística se multiplica em vez de subsidiar SKUs de baixo giro.

Ambos os elementos citam os executivos de operação, e não analistas externos — o desenho foi criado em casa, para a geografia que fez a empresa.

Em distâncias muito longas, transfira o trecho central para o modal confiável mais barato e mantenha caminhões flexíveis apenas onde a flexibilidade compensa — e então corte os SKUs que desperdiçariam o frete que você acabou de economizar.

A Brado e o Grupo Mateus afirmam que a rota continuará se expandindo à medida que a rede cresce no Norte e no Nordeste. A operação tornou-se o caso de referência na imprensa especializada brasileira para o “varejo troca rodovia por ferrovia” — o varejo trocando a estrada pela ferrovia em busca de escala —, e os resultados divulgados do programa de sortimento (maior produtividade das gôndolas, melhor giro, menos rupturas) indicam que os ganhos de frete se sustentam na gôndola.

CONFIRA AS EVIDÊNCIAS

As fontes

  1. Operação multimodal da Brado para o Grupo Mateus movimenta 24,2 mil toneladas em menos de um ano Tecnologística · tecnologistica.com.br ·
  2. Grupo Mateus, Roldão e Grupo ABC detalham estratégias de otimização do sortimento SA+ Ecossistema de Varejo · samais.com.br ·
  3. Varejo troca rodovia por ferrovia para ganhar escala logística Transporte Moderno · transportemoderno.com.br ·