As fábricas do século XIX funcionavam com uma única fonte central de energia — uma máquina a vapor ou uma roda d'água — que girava um único eixo grande ao longo de todo o edifício, com um emaranhado de correias e polias distribuindo a energia até cada máquina no piso. Esse sistema ditava todo o layout físico da fábrica: cada máquina tinha de ficar próxima do eixo de onde tirava energia, e o fluxo de trabalho era organizado em torno da proximidade mecânica com a fonte de energia, e não em torno da sequência lógica de produção.
Os dínamos elétricos tornaram-se comercialmente disponíveis na década de 1880, e o primeiro passo óbvio para os donos de fábricas foi o óbvio: substituir a máquina a vapor por um único dínamo elétrico central, mantendo exatamente o mesmo sistema de distribuição por eixo e correias e exatamente o mesmo layout de fábrica que ele exigia. O economista Paul David constatou mais tarde que essa substituição, por si só, proporcionou quase nenhum ganho de produtividade por cerca de quatro décadas — a eletrificação parecia, no papel, uma tecnologia que não havia correspondido à sua promessa.
Deu a cada máquina seu próprio motor pequeno, eliminando o eixo central e permitindo que as fábricas fossem dispostas em torno do fluxo de trabalho, e não da proximidade com a fonte de energia.
O acionamento unitário eliminou o eixo central, de modo que as máquinas não precisavam mais ficar perto de uma fonte de energia compartilhada.
As fábricas puderam então ser dispostas em torno do fluxo de produção, possibilitando edifícios mais leves, modulares e de um único pavimento.
Os motores independentes permitiam operar as máquinas individualmente, aumentando a flexibilidade e a eficiência.
Os ganhos de produtividade só apareceram depois que um número suficiente de fábricas foi reconstruído, o que levou décadas devido aos custos de capital.
Quando uma nova tecnologia tem desempenho abaixo do esperado, verifique se você ainda a está usando dentro de um sistema construído para a antiga; redesenhe em torno de suas capacidades reais.
David constatou que a adoção generalizada do acionamento unitário só atingiu cerca de 50% na década de 1920, uns 40 anos após os dínamos elétricos estarem comercialmente disponíveis, e que a aceleração mensurável da produtividade decorrente da eletrificação só apareceu depois que esse limiar foi ultrapassado — com a eletrificação respondendo então por cerca de metade de todo o crescimento da produtividade da indústria manufatureira dos EUA durante a década de 1920, um retorno tardio, mas eventualmente enorme, uma vez que as fábricas foram redesenhadas em torno da vantagem real da tecnologia, e não de sua substituição literal da antiga.
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As fontes
- The Dynamo and the Computer: An Historical Perspective on the Modern Productivity Paradox American Economic Review (Paul David) · dklevine.com
- The AI Moment? Possibilities, Productivity, and Policy Federal Reserve Bank of San Francisco · frbsf.org