Como quase todos os sistemas de bibliotecas públicas, a Biblioteca Pública de Chicago cobrava multas por atraso nas devoluções e bloqueava o cartão do usuário quando as multas não pagas ultrapassavam um limite estabelecido, partindo da premissa padrão de que uma penalidade financeira pelo atraso levaria as pessoas a devolver os livros no prazo. Na prática, quando as multas de um usuário acumulavam além do ponto de bloqueio, a dívida não motivava a devolução — ela apenas transformava a biblioteca em um lugar que aquele usuário, muitas vezes um pai ou mãe de baixa renda ou um adolescente sem renda própria, não podia mais usar, sem um caminho claro de retorno.

O conselho da Biblioteca Pública de Chicago votou em 18 de setembro de 2019 pela eliminação das multas por atraso em materiais pertencentes à biblioteca a partir de 1º de outubro, e separadamente cancelou as dívidas de multas existentes nas contas dos usuários, raciocinando que as multas funcionavam como uma barreira de acesso e não como um instrumento de conformidade — o dano recaía mais pesadamente justamente sobre os usuários que a biblioteca mais queria continuar trazendo de volta os livros.

Eliminou as multas e perdoou as dívidas, apostando que os cartões bloqueados e o estigma — e não a falta de incentivo — mantinham os usuários afastados, o que trouxe de volta livros com longo atraso e 11.000 usuários.

As multas acumulavam até um limite de bloqueio, tornando a biblioteca inutilizável para usuários que não podiam pagar.

Os usuários bloqueados deixavam de vir por completo, de modo que não podiam devolver os livros mesmo que quisessem.

Eliminar as multas e perdoar as dívidas removeu a vergonha e a barreira financeira, convidando os usuários a voltar.

Os usuários que retornaram trouxeram de volta livros com longo atraso, impulsionando o aumento de 240% nas devoluções.

Quando uma penalidade cria uma barreira que bloqueia exatamente o comportamento que pretende impor, remover a penalidade pode restaurar a participação de forma mais eficaz do que intensificar a fiscalização.

As devoluções de livros aumentaram 240% nas três semanas após a política entrar em vigor em 1º de outubro de 2019; cerca de 1.650 livros com longo atraso voltaram a cada mês nos cinco meses seguintes, contra cerca de 900 por mês antes da mudança. Cerca de 11.000 usuários da biblioteca cujos cartões haviam sido bloqueados por mais de US$ 10 em multas renovaram ou substituíram seus cartões no ano seguinte, e os empréstimos totais cresceram 7% em relação ao ano anterior no mesmo período — apesar de a receita de multas ter representado apenas 0,7% do orçamento total do sistema de bibliotecas desde o início.

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As fontes

  1. 'We Wanted Our Patrons Back' — Public Libraries Scrap Late Fines To Alleviate Inequity NPR · npr.org
  2. Chicago Libraries' Late Fee Elimination Sparks A 240% Boost In Book Returns Forbes · forbes.com