O Egito queria 1,8 GW de energia solar no deserto perto de Assuã — muito mais do que qualquer desenvolvedor ou credor individual assumiria. O caminho convencional teria sido um único contrato EPC gigante ou uma ambição reduzida. Em vez disso, o Parque Solar de Benban foi concebido como 36 quilômetros quadrados divididos em 41 lotes separados, cada um desenvolvido, financiado e operado individualmente por uma empresa privada diferente, sob PPAs de tarifa feed-in de 25 anos com a Egyptian Electricity Transmission Company.

O financiamento acompanhou a divisão. Em vez de negociar 13 acordos de dívida separados, a IFC estruturou um único pacote de US$ 653 milhões — US$ 225 milhões de recursos próprios — por meio de um consórcio de nove bancos internacionais, cobrindo 13 das 41 usinas, com 590 MW combinados. O BERD conduziu um programa paralelo, financiando mais 16 projetos com mais de US$ 500 milhões.

A estrutura transformou um megaprojeto não bancável em dezenas de financiamentos de projetos comuns, de porte médio, que as IFDs e os credores comerciais já sabiam precificar. A construção em todo o parque ocorreu em paralelo, e Benban atingiu a implantação completa em cerca de dois anos após os financiamentos de 2017.

O resultado é uma das maiores instalações solares do mundo: 1,8 GW de capacidade combinada, com expectativa de gerar cerca de 3,8 TWh por ano, vendidos para a rede egípcia, reduzindo os custos de geração e viabilizando exportações em direção à Líbia.

Dividir o parque em 41 lotes bancáveis separadamente

Um único financiamento de 1,8 GW excedia o apetite de risco de qualquer credor individual; 41 lotes trouxeram cada negócio de volta ao tamanho padrão de financiamento de projeto.

Um pacote de dívida padronizado da IFC para 13 usinas reduziu o custo jurídico e de due diligence de fazer 13 negócios separados.

A construção paralela por 41 desenvolvedores ergueu o parque muito mais rápido do que um único empreiteiro conseguiria.

PPAs de tarifa feed-in com um comprador estatal deram a cada lote um contrato de receita bancável.

O risco foi disperso: o fracasso de um desenvolvedor não poderia afundar o parque inteiro.

Quando um projeto é grande demais para qualquer balanço individual, reestruture-o em muitas unidades padronizadas e financiáveis separadamente; a padronização, não a escala, é o que destrava o capital.

Benban foi concluído por volta de 2019 como um dos maiores parques solares do mundo, com mais de 32 usinas operacionais no início da década de 2020. Seu modelo de divisão em lotes e financiamento programático — o pacote "Nubian Suns" da IFC, somado aos programas paralelos do BERD e do AfDB — tornou-se a estrutura de referência para escalar renováveis em mercados onde nenhum balanço individual consegue carregar um gigawatt.

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As fontes

  1. Why Egypt's Benban solar park is a game-changer for North Africa Businessfront · businessfront.com ·
  2. Egypt: Benban Solar-05 Office of the Compliance Advisor/Ombudsman (IFC/MIGA) · cao-ombudsman.org ·