Antes de 1602, o comércio holandês com a Ásia funcionava por meio das voorcompagnieën: parcerias formadas para uma única expedição, liquidadas no retorno desta, com os lucros divididos e os investidores livres para se retirarem — em sete anos enviaram 80 navios para o leste, e os investidores podiam sempre esperar receber seu dinheiro de volta em alguns anos. Os Estados Gerais fundiram essas companhias rivais em uma única companhia privilegiada em 1602, com um monopólio de 21 anos. Mas, financeiramente, a nova companhia foi concebida à moda antiga: após dez anos, deveria ser liquidada e seu capital devolvido aos acionistas.

O comércio asiático não se encaixava nesse relógio. Fortes, guarnições e frotas exigiam investimentos que levavam décadas para serem recuperados, e uma data estatutária de liquidação forçava a companhia a se desmantelar exatamente quando sua posição no exterior começava a dar retorno. No entanto, investidores criados com pagamentos por viagem jamais aceitariam um bloqueio por prazo indeterminado. O foral, portanto, combinou o compromisso mais longo que já se havia pedido a investidores holandeses com uma cláusula escrita na primeira página do livro de subscrição: as ações eram livremente transferíveis a qualquer terceiro.

Substituiu o reembolso por ações transferíveis: os investidores saem vendendo uns aos outros, de modo que o capital da companhia permanece bloqueado em navios e fortes para sempre.

As ações transferíveis permitiam que os investidores vendessem uns aos outros, de modo que a saída não exigia reembolso pela companhia.

A negociação começou imediatamente, tornando o bloqueio aceitável porque a revenda era real.

O capital permaneceu investido em navios e fortes, possibilitando retornos de longo prazo.

O mercado de ações cresceu, proporcionando liquidez e um preço visível.

Para empreendimentos de longo horizonte, não encurte o compromisso; torne a propriedade transferível para que os investidores saiam por meio uns dos outros, mantendo o capital no lugar.

Foram levantados 6,4 milhões de florins, e o capital permaneceu bloqueado por quase dois séculos; o rival inglês levou até 1657 para corrigir seu capital social.

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As fontes

  1. The Formative Years of the Modern Corporation: The Dutch East India Company VOC, 1602–1623 The Journal of Economic History · pure.eur.nl
  2. The World's First Stock Exchange: How the Amsterdam Market for Dutch East India Company Shares Became a Modern Securities Market, 1602-1700 (PhD thesis) University of Amsterdam · pure.uva.nl