Em 2018, a UPS entregava até 31 milhões de pacotes por dia, cada vez mais para residências dispersas, que custam mais para atender, enquanto a Amazon se preparava para lançar um serviço de entrega de baixo custo concorrente. Parte da resposta da UPS foi o EDGE — "enhanced dynamic global execution" (execução global dinâmica aprimorada) —, cerca de 25 projetos construídos sobre os dados das instalações que a empresa começou a coletar em 2016, com expectativa de economizar US$ 200–300 milhões por ano quando totalmente implantados.

As correções principais visavam o momento humano da separação errada. Cerca de 2.500 dos quase 100.000 trabalhadores sazonais contratados a cada período de novembro a janeiro usavam dispositivos de escaneamento e fones de ouvido Bluetooth de US$ 8 que emitiam instruções de uma palavra — "Verde", "Vermelho", "Azul" —, cada uma nomeando a esteira transportadora para um pacote, substituindo horas de memorização de centenas de CEPs. Nos caminhões, beacons Bluetooth de cinco polegadas apitavam se um trabalhador carregasse um pacote em um veículo que não ia para o seu destino — uma verificação final que a UPS antes não tinha, quando pacotes extraviados forçavam viagens fora de rota ou transferências por supervisores.

O EDGE também informava aos gerentes das instalações exatamente quantos pacotes não entregáveis chegariam a cada noite — dados dos dispositivos portáteis dos motoristas e do software de roteamento ORION, transmitidos em tempo real para smartphones Samsung como gráficos de linha do volume de entrada e da carga dos grupos de trabalhadores —, para que pudessem dimensionar a equipe conforme a demanda real em vez de médias históricas e suposições por rádio, fazendo com que pacotes desviados chegassem mais cedo aos destinatários. Os supervisores recebiam tablets com mapeamento, roteamento e listas de verificação digitais para a segurança dos motoristas.

A correção mais barata para um milhão de erros diários é uma instrução de uma palavra: apitos e beacons codificados por cores orientam 100.000 trabalhadores sazonais sem lhes ensinar CEPs.

A contratação sazonal amplia a mão de obra, mas não o treinamento: instruções de áudio de uma palavra deram a 100.000 temporários o conhecimento de separação de um veterano no primeiro dia.

Os beacons moveram a verificação final para montante, detectando um carregamento errado na porta do caminhão em vez de na porta errada.

Contagens em tempo real substituíram suposições por rádio, então os gerentes dimensionavam os turnos conforme o volume daquela noite em vez do padrão do mês anterior.

Os projetos rodavam sobre a infraestrutura de escaneamento que a UPS já tinha, então o custo marginal eram fones de ouvido e beacons, não novos sistemas.

A automação não precisa substituir pessoas — às vezes é um fone de ouvido de US$ 8 dizendo uma palavra. Leve cada decisão para onde estão as mãos, no sinal mais simples que elas possam seguir.

Em fevereiro de 2018, o sistema de beacons cobria 35% das rotas de motoristas nos EUA, além de uma unidade na Alemanha, com Canadá e Reino Unido planejados. A UPS estimou seu orçamento anual de tecnologia em US$ 1 bilhão, abrangendo o EDGE, o motor de roteamento ORION lançado em 2013, os dispositivos portáteis dos motoristas e as máquinas de triagem automatizada, e em 2017 criou um grupo de tecnologia avançada para trazer IA ao EDGE. Analistas citados na reportagem viam a expansão da análise de dados como a melhor defesa da UPS caso a Amazon passasse de rival a concorrente.

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As fontes

  1. How UPS delivers faster using $8 headphones and code that decides when dirty trucks get cleaned MIT Technology Review · technologyreview.com ·