Um aparelho de ressonância magnética funciona alternando gradientes magnéticos potentes que produzem um ruído mecânico alto e estridente — batidas, zumbidos, estalos — durante os muitos minutos que dura um exame, e o paciente precisa ficar completamente imóvel dentro de um tubo estreito o tempo todo, ou as imagens ficam inutilizáveis. Para uma criança assustada, essa combinação costuma falhar: o movimento significa repetir o exame ou cancelá-lo, e os hospitais recorrem por padrão à sedação ou até à anestesia completa de pacientes jovens para obter uma imagem limpa, o que acrescenta custo, tempo de recuperação e um risco clínico próprio a um procedimento diagnóstico que, de outra forma, é de rotina.
As medidas paliativas padrão que os hospitais já usam — salas de exame decoradas de forma infantil, fones de ouvido com cancelamento de ruído, um dos pais conversando com a criança durante o exame, desenhos animados passando antes — todas tratam o ruído da máquina como algo a esconder da criança ou do qual distraí-la. Nenhuma delas muda o que a criança de fato ouve no momento em que o exame começa, que continua sendo o mesmo estrondo assustador que se tentava evitar.
Encaixou os cliques previsíveis da ressonância magnética em audiolivros como efeitos sonoros da trama, de modo que o ruído real se tornou elementos da história que a criança esperava ouvir, em vez de uma ameaça.
O ruído da ressonância magnética é uma sequência fixa para cada tipo de exame, portanto pode ser composto antecipadamente como música.
As crianças ouvem os mesmos sons que temiam, mas agora como elementos da história, de modo que sua experiência sensorial confirma a narrativa.
Como a história e o ruído são o mesmo evento, acompanhar a história se alinha com permanecer imóvel durante o exame.
Isso reduz a lacuna entre expectativa e realidade que compromete as abordagens baseadas em distração.
Quando um estímulo desagradável é mecanicamente previsível, reenquadre-o como um elemento narrativo sincronizado em tempo real, em vez de mascará-lo ou distrair a atenção dele.
O programa foi lançado como piloto na rede de hospitais privados CUF de Portugal, onde a equipe de radiologia relatou uma queda acentuada na ansiedade das crianças durante os exames e uma necessidade reduzida de recorrer à sedação — a Siemens não publicou um número clínico revisado por pares para essa redução até o momento desta redação, mas a recepção ao piloto foi forte o suficiente para que a empresa passasse a expandir o Magnetic Stories para a Espanha, a Alemanha, a Itália e o Reino Unido, com planos de narração gerada por IA em tempo real que possa ser sincronizada com a sequência de exame específica de qualquer hospital.
CONFIRA AS EVIDÊNCIAS
As fontes
- Siemens wins Pharma Grand Prix with comforting children's audiobooks for scary MRIs Ad Age · adage.com
- Cannes Lions 2024: Pharma winners Contagious · contagious.com