Em 13 de maio de 1931, em Cincinnati, um gerente de promoções de 27 anos chamado Neil McElroy datilografou um memorando de três páginas. Seis anos antes, ele havia entrado na Procter & Gamble como estagiário de verão e subido da sala de correspondência para a equipe de publicidade; seu chefe, o presidente da empresa R. R. Deupree, queria equipes de branding separadas dentro do portfólio e pediu a McElroy que formalizasse a ideia. O memorando propunha 'homens da marca' — e a gestão de marcas nasceu.

O memorando atribuía ao novo cargo responsabilidade total pela embalagem e pela publicidade de uma marca, enviava os homens da marca com as equipes regionais de vendas para ver os planos executados em campo e exigia que analisassem as vendas, construíssem planos de marketing e monitorassem os resultados com pesquisa — apoiados por uma equipe dedicada de pesquisadores de mercado e assistentes. Mais radical ainda, cada equipe de marca podia competir abertamente com outras marcas da P&G na mesma categoria. McElroy havia observado marcas maiores drenarem recursos e atenção de lançamentos menores, e temia que isso deixasse a P&G exposta a concorrentes externos.

Em 1953, a Time pôde descrever o sistema operando a plena potência: para cada produto da P&G havia um 'homem da marca' que assumia total responsabilidade pelos resultados. A empresa havia sido descentralizada no que a revista chamou de um conjunto de organizações separadas, cada uma com seu próprio chefe, e a P&G se tornara a maior anunciante dos Estados Unidos, gastando naquele ano cerca de US$ 30 milhões em rádio e TV em rede mais US$ 15 milhões em mídia impressa. Suas próprias marcas trocavam insultos no ar — e, quando a Tide cresceu rápido demais, McElroy lançou a Cheer para competir com ela, acomodando-se ao segundo lugar nos detergentes.

O sistema levou seu inventor para cima: McElroy chegou a gerente de publicidade, vice-presidente e presidente, construindo a estrutura de gestão de marcas à medida que subia, e mais tarde serviu como Secretário de Defesa dos Estados Unidos. A lógica do memorando — um produto, um gerente-geral responsável — espalhou-se pelos bens de consumo e tornou-se o documento fundador da profissão.

Dar a cada marca um único dono, administrá-la como um negócio

Um único dono responsável por marca tornava os resultados atribuíveis: quando as vendas caíam, o homem da marca tinha de descobrir por quê, de modo que os problemas surgiam no nível do produto, não nas médias de toda a empresa.

Equipes dedicadas de pesquisa e assistentes por marca protegiam os novos lançamentos de terem recursos e atenção drenados pelas marcas principais — exatamente a canibalização que McElroy vira em primeira mão e que o memorando visava deter.

A competição interna transformou o portfólio em um campo de testes permanente: a Tide ganhou uma desafiante da própria casa, a Cheer, em vez de deixar o mercado aberto para a Colgate preenchê-lo.

A estrutura tornou a expansão barata em foco: adicionar uma marca significava adicionar um dono, não ampliar um comitê, de modo que a P&G podia administrar dezenas de produtos concorrentes sem perder o rastro de nenhum.

Propriedade supera supervisão. Dê a cada produto um dono cujos resultados não possam se esconder e cujas decisões se movam na velocidade do mercado; competir deliberadamente consigo mesma mantém uma empresa à frente dos rivais.

A Time, em 1953, creditou ao sistema de gestão de marcas individuais o que deu à P&G seu ímpeto competitivo, sendo então a maior anunciante dos EUA. O modelo espalhou-se da P&G para seus concorrentes e, por fim, por todo o campo do marketing; a Branding Strategy Insider, revisitando o memorando em 2009, chamou-o de três páginas de conselhos estratégicos ainda válidos 78 anos depois, com o original agora uma antiguidade premiada no arquivo corporativo da P&G. McElroy tornou-se presidente da empresa em 1948 e chairman após seu período de 1957–59 como Secretário de Defesa dos Estados Unidos.

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As fontes

  1. The Birth of Brand Management Branding Strategy Insider · brandingstrategyinsider.com ·
  2. Neil McElroy of Procter and Gamble (Time magazine profile, 1953) Time (archived copy at marketingmasterinsights.com) · web.archive.org