Numa walking tour gratuita, os convidados reservam sem pagar antecipadamente e são incentivados a dar gorjeta no final. O modelo surgiu na Europa no início dos anos 2000 e desde então explodiu, com empresas como Sandemans Tours, Guruwalk, Walkative e Free Tour a operar plataformas online onde guias freelancers se anunciam. O detalhe que a maioria dos viajantes nunca vê: para usar algumas dessas plataformas, os guias pagam uma taxa de reserva ou de intermediação por cada convidado que realmente aparece — uma guia de Roma entrevistada pela BBC paga €3 por pessoa, e um guia de Istambul que recebeu uma gorjeta pequena gritou com um convidado: 'Paguei €3,50 por você!'

Cada lado do acordo recebe algo assimétrico. Os viajantes têm reserva sem atrito e nenhum compromisso financeiro — o blogueiro de viagens Kash Bhattacharya, do BudgetTraveller, diz que as tours gratuitas lhe permitem explorar cidades com orçamento de estudante, pagando 'o que você achava que estava dentro das suas possibilidades e [conforme] o quanto gostou da tour'. Os guias têm uma entrada de baixa barreira na profissão.

As plataformas recomendam gorjetas de €15 a €50 por participante para guias freelancers; o repórter da BBC paga €15–25, uma guia de Viena sugeriu pelo menos €20, e a guia de Roma espera €15 por pessoa contra a sua taxa de €3 — bons públicos geram rendimento real, e ela deixa as médias funcionarem: alguns turistas pagam mais, outros menos, 'tudo se acerta no fim'.

O risco do modelo, porém, recai inteiramente sobre o guia. As faltas não custam nada aos viajantes, mas custam o dia ao guia — a guia de Roma esperou meia hora por cinco convidados reservados que nunca apareceram, a terceira vez seguida que isso aconteceu. Heather Mae Ellis, presidente da Berlin Guides Association, diz que o risco é um participante levar o termo 'gratuita' ao pé da letra. E em algumas cidades uma tour convencional pode custar o mesmo ou menos do que a gorjeta esperada — o conselho da BBC para viajantes que querem certeza de preço é simplesmente reservar uma tour paga.

Definir o preço da tour em zero, deixar cada viajante definir o preço depois de viver a experiência e cobrar do guia alguns euros por cada pessoa que realmente aparece.

Um preço inicial zero remove a barreira da confiança: estranhos experimentam um guia desconhecido quando desistir não custa nada.

Cobrar dos guias por pessoa transforma a aquisição de clientes em custo de mercadoria do guia, de modo que as plataformas ganham independentemente da gorjeta dos viajantes.

O preço definido após a experiência deixa a qualidade definir o preço — guias que se destacam ganham €15–50 por pessoa, enquanto os ruins são eliminados.

O risco de faltas e de aproveitadores é transferido para os guias, que o aceitam como o preço de entrada na profissão.

O modelo 'pague quanto quiser' funciona quando um vendedor consegue fazer a média dos resultados entre um público e a plataforma é paga por lead de qualquer forma — mas o risco de faltas e de aproveitadores recai sobre o menor participante, o guia.

O modelo continua a se espalhar pelo mundo a partir das suas origens europeias do início dos anos 2000, com plataformas aconselhando os viajantes a pagar 'um valor justo' enquanto insistem que os guias 'nunca devem pressionar você a dar gorjeta'. Associações de guias como a de Berlim apontam o risco da palavra 'gratuita', e a categoria agora abrange plataformas dedicadas na maioria das grandes cidades turísticas.

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As fontes

  1. How much should you actually tip on a 'free' walking tour? BBC Travel · bbc.com ·