O FireWire (IEEE 1394) era o barramento serial de alta velocidade da Apple, desenvolvido com a Sony e a Panasonic e integrado a Macs e cinecâmeras DV da Sony a partir de 1999. A 400 Mbps, era cerca de trinta vezes mais rápido que os 12 Mbps do USB 1.1 e movia dados sem sobrecarregar a CPU — razão pela qual o primeiro iPod (2001) sincronizava via FireWire e pela qual os editores de vídeo o adotaram de imediato. Parecia ser a próxima porta universal do PC.

Então veio o preço. A Apple começou a cobrar dos fabricantes de dispositivos uma taxa de licenciamento de US$ 1 por porta FireWire em 1999, enquanto o USB não tinha taxa alguma. Quando a especificação USB 2.0 chegou em abril de 2000 a 480 Mbps, a Intel — que inicialmente apoiara o 1394 — recuou e passou a apoiar o USB 2.0. Os chipsets da Intel eram a espinha dorsal da indústria de PCs, então, assim que o barramento gratuito igualou a classe de velocidade do FireWire, os fabricantes de unidades, câmeras e placas não tinham motivo para pagar o pedágio.

O FireWire sobreviveu onde sua vantagem técnica era real — captura de vídeo digital, áudio profissional de baixa latência, unidades em cascata — e a Apple manteve portas até seu último Mac com FireWire em 2012, quando o Thunderbolt, codesenvolvido com a Intel, já assumira esse papel. Em 2025, o macOS 26 removeu o suporte de vez. O USB passou a absorver tudo o que o FireWire oferecia — velocidade, alimentação pelo barramento, transferência full-duplex — sem o fardo do licenciamento.

O gratuito vence o mais rápido quando o pedágio recai sobre a porta

Royalties por porta são um pedágio sobre a adoção, e os fabricantes tinham uma alternativa sem pedágio chegando na mesma geração de chipsets da Intel.

Os 480 Mbps eliminaram o argumento de velocidade do FireWire, então a taxa passou a ser a única diferença que os OEMs compradores conseguiam ver.

A taxa sinalizava que a Apple tratava o FireWire como renda, e não como infraestrutura, e os parceiros precificaram esse risco em suas escolhas.

As vantagens genuínas do FireWire — transferências por DMA, rede ponto a ponto, fluxos contínuos — importavam principalmente aos profissionais, uma base estreita demais para sustentar o padrão.

Um padrão é adotado como uma língua: quem reduz o custo de adesão vence. Taxe cada porta e você financia o volume do seu rival — monetize o ecossistema, não o direito de conectar.

O USB tornou-se o barramento serial universal que seu nome prometia, e a receita de ecossistema que a Apple queria veio, em vez disso, para quem vendia os dispositivos. O FireWire passou os anos 2000 como interface profissional de vídeo e áudio, desapareceu dos Macs após 2012 e foi formalmente descontinuado no macOS 26 em 2025. O Thunderbolt, o barramento posterior da Apple com a Intel, adotou a cartilha oposta: implementação livre de royalties, monetizada por meio de ecossistemas certificados de cabos e dispositivos.

CONFIRA AS EVIDÊNCIAS

As fontes

  1. Why Was FireWire Discontinued? Here's What Happened To Apple's USB Alternative SlashGear · slashgear.com ·
  2. Remembering Apple FireWire: The Standard That Should've Beat USB How-To Geek · howtogeek.com ·
  3. The "USB killer" is dead: Apple drops FireWire support in macOS 26 TechSpot · techspot.com ·