O Saneamento Total Liderado pela Comunidade (CLTS) surgiu em Bangladesh por volta de 2001 como uma inversão dos programas de subsídio para banheiros. Em vez de construir latrinas para as pessoas, um facilitador conduz os moradores em uma caçada pela própria aldeia — em Jiling, no centro do Nepal, Sanjay Devkota, do programa do Fundo Global de Saneamento da UN-Habitat, percorreu trilhas entre arrozais até que alguém avistasse um monte de fezes, e então perguntou à família ao lado como se sentia a respeito, e se as moscas que pousavam ali ficavam na casa deles ou visitavam a dos vizinhos.
O desconforto é o próprio desenho. Alison Bradley, do Conselho Colaborativo de Abastecimento de Água e Saneamento, explica que o objetivo é que as pessoas sintam que a defecação a céu aberto é suja e errada para a sua comunidade — para que moradores como Shanta Bahadur Tamang, de 69 anos ('Construí um banheiro. Se eu consigo, por que os outros não conseguem?'), pressionem os vizinhos a construir os seus. Jiling tinha como meta o status de livre de defecação a céu aberto até setembro; o governo do Nepal queria o país inteiro com banheiros até 2017.
A direção da mudança era real: ainda em 1990, apenas 10% das casas nepalesas tinham banheiros, e em 2016 cerca de 70% tinham — em sua maioria latrinas simples de agachamento que as próprias pessoas construíram, o que é precisamente a razão pela qual, argumenta o CLTS, elas são usadas em vez de reaproveitadas para outra finalidade.
Não construa banheiros para as pessoas — faça a comunidade inteira confrontar a defecação a céu aberto até que ela queira latrinas, e então deixe que ela construa as suas.
Banheiros subsidiados ficaram sem uso porque os beneficiários não os haviam escolhido — a restrição era a demanda, não a oferta.
A caminhada facilitada torna um risco invisível de saúde pública visível, pessoal e embaraçoso em uma única tarde.
A pressão social se sustenta sozinha: uma vez que uma aldeia estabelece a meta de ser livre de defecação a céu aberto, os vizinhos a fazem cumprir de graça.
A apropriação supera a doação quando se trata de infraestrutura para mudança de comportamento. Um subsídio compra um banheiro; o nojo e a pressão dos pares compram um hábito.
O CLTS se espalhou de Bangladesh pelo mundo em desenvolvimento como a alternativa padrão aos subsídios para latrinas, com o WSSCC e parceiros como a UN-Habitat executando programas facilitados rumo a metas nacionais de eliminação da defecação a céu aberto, como a meta do Nepal para 2017.
CONFIRA AS EVIDÊNCIAS