Na Bolívia, a ONG PRODEM construiu uma operação de microcrédito bem-sucedida, atendendo clientes pobres, mas seu crescimento era limitado pelo acesso rígido a fundos de doadores. O próximo passo exigia uma forma jurídica diferente, não um produto diferente.

Com base na experiência da PRODEM, o BancoSol foi constituído como banco comercial privado em 1992 — a formalização lhe deu autorização para mobilizar depósitos, e ele se tornou a organização de microfinanças com o maior número de clientes da América Latina.

O crescimento trouxe pressão: à medida que o banco crescia, a receita como proporção dos ativos produtivos caiu e o custo médio dos fundos subiu, reduzindo a margem operacional em 13 pontos percentuais. O BancoSol enfrentou o desafio reduzindo as despesas operacionais em relação aos ativos, e a eficiência da carteira cresceu de forma constante.

O estudo de 1996 conclui que o sucesso veio da disciplina financeira, de uma tecnologia de crédito adequada ao nicho de mercado, de um longo período de aprendizado e da transformação em intermediário formal. Não encontra desvio de missão: o BancoSol continuou focado em pequenos empréstimos a microempreendedores que nunca conseguiriam acessar bancos convencionais.

Uma licença bancária permitiu que os microempréstimos acessassem depósitos

A captação de depósitos substituiu o financiamento rígido de doadores por dinheiro mais barato e escalável.

A compressão da margem foi enfrentada cortando custos operacionais, não os preços dos empréstimos nem a missão.

A tecnologia de crédito e o aprendizado construídos na PRODEM foram mantidos intactos.

Uma licença regulamentada construiu a credibilidade que atraiu depositantes.

Quando o crescimento é limitado pelo dinheiro de doadores, mude a estrutura de financiamento, não a missão: uma licença bancária transforma poupança em uma base de empréstimos escalável, e a tecnologia de crédito sobrevive à transformação.

Um estudo de 2010 de pesquisadores de Harvard e da Universidade de Rhode Island, resumido pela Stanford Social Innovation Review, descreve o BancoSol como um dos dois bancos comerciais pioneiros de microfinanças de La Paz — e mostra que a cultura híbrida foi a parte difícil. A identidade do banco se dividiu entre assistentes sociais e banqueiros, e ele só se recuperou após substituir a maior parte da equipe orientada ao desenvolvimento; mais tarde, adotou parte da prática do rival Los Andes de contratar graduados e treiná-los tanto em desenvolvimento quanto em atividades bancárias, resolvendo a tensão entre lucro e impacto.

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As fontes

  1. Bancosol: El Reto Del Crecimiento En Organizaciones De Microfinanzas RePEc / AgEcon Search (Ohio State University) · ideas.repec.org
  2. Turning a Profit by Helping the Poor Stanford Social Innovation Review · ssir.org