Por volta de 2010, moradores de Havana jogavam videogames piratas de LAN party em pequenas intranets ligadas por cabo que raramente ultrapassavam um prédio ou quarteirão. O embargo dos EUA contra Cuba tornava roteadores e equipamentos de rede quase impossíveis de comprar legalmente, e o acesso à internet era caro, lento e chegava a apenas cerca de 16% da população em 2011. Naquele ano, mais de 100 moradores decidiram unificar suas redes hiperlocais em uma única estrutura para toda a cidade, que chamaram de SNET, a "rede de rua".

Os fundadores da SNET obtinham roteadores e cabos por meio do Revolico, equivalente cubano do Craigslist, e de parentes que viajavam ao exterior, reaproveitando roteadores domésticos de US$ 60 para links que normalmente exigiriam equipamentos profissionais de US$ 500. À medida que os bairros aderiam, cada um mantinha seus próprios servidores, fóruns e espelhos de jogos hackeados, com voluntários aplicando regras contra política e assédio para permanecer sob o radar do governo. Em seu auge, a SNET tinha uma estimativa de 100.000 endereços IP, financiada por potes de gorjeta voluntários dos usuários, e não por qualquer empresa ou orçamento estatal.

Conectar LAN parties existentes com roteadores domésticos de US$ 60

O embargo tornava ilegal comprar equipamentos de rede profissionais, então a solução alternativa tinha de funcionar com equipamentos de consumo que pudessem ser comprados legalmente.

Conectar LAN parties existentes em vez de construir do zero fez a SNET crescer sobre infraestrutura e hábitos já estabelecidos, bairro por bairro.

Regras de conteúdo rígidas, aplicadas por voluntários, contra política e pornografia mantiveram a SNET abaixo do limite que teria provocado um desligamento imediato pelo governo.

Um pote de gorjetas financiado pelos usuários permitiu que a rede crescesse até cerca de 100.000 endereços sem precisar de capital externo que teria atraído escrutínio.

Onde importar legalmente o equipamento "certo" é impossível, federar o que já se consegue obter pode escalar mais do que esperar pela versão profissional.

A estatal de telecomunicações ETECSA ampliou os pontos de WiFi público em 2015 e o 3G em todo o país em 2018; em meados de 2019, o governo autorizou conexões residenciais privadas, e novas leis exigiram que redes comunitárias se registrassem e fossem supervisionadas pelo Estado. O governo cubano absorveu o papel da SNET, exigindo que ex-membros doassem equipamentos a uma intranet estatal. Partes das plataformas originais da SNET nunca migraram para servidores oficiais. "De certa forma, o Estado foi o grande vencedor", disse o membro fundador José Javier Mena Mustelier à Rest of World.

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As fontes

  1. The life and death of SNET, Havana's alternative internet Rest of World · restofworld.org ·