A Regra 50 da Carta Olímpica impede que marcas anunciem em qualquer lugar dentro ou acima dos locais de competição, de modo que um patrocinador que paga para ser associado aos Jogos não obtém logotipos no campo, nem sinalização, nem marcas transmitidas — exatamente aquilo que o patrocínio normalmente compra. A LVMH gastou cerca de €150 milhões para ser parceira premium de Paris 2024, mas, no maior palco do mundo, não podia colocar seu nome onde as câmeras apontavam.
Todo patrocinador concorrente enfrentava o mesmo obstáculo, então a resposta padrão era disputar espaços limítrofes — patches em camisas usados fora do campo, posicionamentos na zona de imprensa, posts de atletas nas redes sociais — sempre beirando a linha, sempre limitados pela regra.
A LVMH foi onde a regra não tinha autoridade: os próprios objetos dos Jogos. Sua maison Chaumet desenhou as medalhas de competição propriamente ditas, a Louis Vuitton fez as bandejas das medalhas e os baús que transportam a tocha, a Berluti vestiu a seleção francesa e a Dior vestiu os artistas da cerimônia de abertura. A Regra 50 proíbe um logotipo no campo; não proíbe os adereços do próprio campo. Assim, cada momento no pódio, cada entrega de medalha, cada fila de atletas mostrava as casas da LVMH no ponto de máxima atenção das câmeras — inseridas como coprodutoras do evento, e não como anunciantes ao redor dele.
A LVMH desenhou as medalhas, as bandejas e os uniformes, transformando suas marcas nos adereços que toda câmera precisa mostrar, contornando a proibição de publicidade.
A Regra 50 proíbe logotipos, mas não os adereços do evento, então os objetos da LVMH estavam legalmente presentes.
As câmeras precisam enquadrar a medalha e a bandeja no clímax do pódio, garantindo exposição.
A proibição impedia que concorrentes comprassem espaço em campo, então ninguém podia igualar o posicionamento da LVMH.
Ser dona dos artefatos tornou a LVMH coprodutora, e não anunciante, evitando a fadiga publicitária.
Quando um local proíbe seus anúncios, forneça os próprios objetos do local — a transmissão precisa mostrá-los, então você obtém a exposição sem o anúncio.
€350 milhões em mídia espontânea, segundo a própria empresa. Rivais reclamaram da onipresença da marca; a LVMH aproveitou isso para fechar um acordo de 10 anos com a F1 no valor de US$100 milhões por ano. O modelo de 'parceiro premium como coprodutor' — entregar ao evento sua iconografia física e deixar a transmissão levar a marca — desbancou a Rolex na F1 e reposicionou o patrocínio da visibilidade comprada para o fornecimento funcional do espetáculo.
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As fontes
- Vogue Business (via Vogue) — LVMH to Sponsor the 2024 Olympic Games in Paris Condé Nast Vogue / Vogue Business · vogue.com
- Front Office Sports — LVMH's New Push: World's Most Powerful Luxury Group Is Coming for Sports Front Office Sports · frontofficesports.com