Peter Dearman, um autodidata de Essex e ex-criador de aves, passou décadas em sua garagem perseguindo um motor de ar líquido, uma ideia que vinha derrotando inventores desde 1899 porque o combustível congelante forma gelo no motor e mata sua própria expansão. Seu avanço em 1999, inspirado por um caminhão de correio movido a nitrogênio líquido da Universidade de Washington visto na TV, era quase embaraçosamente simples: injetar uma mistura de anticongelante e água nos pistões a cada curso, levando o calor ambiente exatamente onde o combustível precisava dele. Seu protótipo de cortador de grama e um Vauxhall Nova movido por um barril de cerveja provaram que funcionava.

A ciência sobreviveu a uma análise da Universidade de Leeds — cerca de um terço da energia do combustível se tornou trabalho, em pé de igualdade com motores de combustão —, mas o ar líquido simplesmente carregava pouca energia por galão para satisfazer os compradores de carros. Então, em 2011, o sócio Toby Peters teve a virada: um motor normal desperdiça calor, mas o motor Dearman desperdiça frio, e o frio é 'imensamente valioso'. A empresa parou de vendê-lo como motor e começou a vendê-lo como unidade móvel de refrigeração para os caminhões frigoríficos que transportam os alimentos do mundo.

A proposta se encaixou perfeitamente: em vez de unidades de refrigeração a diesel que emitem gases de efeito estufa e particulados, uma unidade Dearman emite apenas nitrogênio, opera com o mesmo custo baixo, é mais silenciosa e resfria mais rápido. Mesmo contabilizando a energia para liquefazer o nitrogênio, as emissões caem cerca de 40% em relação ao diesel — 95% se a usina de liquefação funcionar com renováveis.

Peters percebeu que o resíduo do motor era o produto: ele libera frio, não calor — venda-o como unidade de refrigeração de emissão zero para caminhões frigoríficos.

O trocador de calor com injeção de anticongelante resolveu o problema de congelamento que havia derrotado os motores de ar líquido por um século.

Como locomoção, a tecnologia estava limitada pela densidade energética; como refrigeração, seu escapamento tornou-se o valor.

A entrega refrigerada tinha um ciclo de substituição embutido: três milhões de caminhões frigoríficos a diesel no mundo, com previsão de chegar a 17 milhões até 2025.

A economia operacional igualava a do diesel, então a venda se apoiava em emissões e qualidade do ar, não em sacrifício.

O fluxo de resíduos de uma tecnologia pode ser seu mercado: reenquadrar um motor de carro fracassado como unidade de refrigeração encontrou clientes que o projeto original jamais conseguiria.

Em 2015, um caminhão equipado com Dearman estava sendo testado em vias públicas ao redor de Warwickshire. Em 2016, o Sainsbury's pegou emprestada uma unidade para um teste de três meses entre seu depósito em Essex e lojas de Londres; um ano depois, um caminhão refrigerado por Dearman passou seis meses entregando Ben & Jerry's em toda a Holanda para a Unilever sem perder uma única carga.

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As fontes

  1. A One-Time Poultry Farmer Invents the Future of Refrigeration WIRED · wired.com ·