Durante um século, "diapasão de concerto" significou o que quer que a tradição local mais ruidosa dissesse que era. Um decreto francês fixou o Lá em 435 Hz em 1859; a Áustria recomendou o mesmo em 1885; a Grã-Bretanha calculou seu próprio 439 Hz para a Royal Philharmonic em 1896; na América do Norte, pianos e orquestras permaneceram sem padronização e continuaram a subir, porque uma orquestra ligeiramente mais aguda simplesmente soava mais brilhante. Conferências internacionais tentaram e falharam em resolver a questão — nem todo país com orquestras e casas de ópera concordaria em assinar.
O que mudou na década de 1930 foi o canal de entrega: a radiodifusão musical colocou orquestras de diferentes países frente a frente no ouvido do ouvinte, e a indústria pressionou por uma padronização total. Em maio de 1939 — meses antes da guerra — delegados da França, Alemanha, Países Baixos, Itália e Inglaterra se reuniram na Broadcasting House, sede da BBC, com a British Standards Institution cuidando dos preparativos e os EUA e a Suíça participando por correspondência. Eles concordaram com Lá = 440 Hz, próximo ao 439 já existente na Grã-Bretanha.
O detalhe da implementação é o que fez isso pegar. A BBC gerava sua nota de afinação eletronicamente, e a aritmética só funciona com um número divisível: 1.000 Hz multiplicado por onze e dividido por vinte e cinco dá 440; o primo 439 é inalcançável desse modo. As orquestras da BBC tinham de afinar pelo gerador em vez do notoriamente instável oboé, e a nota transmitida tornou-se a referência de todos. A Organização Internacional de Normalização adotou o valor como Recomendação R 16 em 1955 e o formalizou como ISO 16 em 1975 — ratificando o que o rádio já tornara verdadeiro.
Escolha a nota que um oscilador de cristal pode sintetizar
A radiodifusão alcança cada instrumentista e ouvinte simultaneamente — um diapasão viaja um bolso de cada vez.
A síntese eletrônica favorece números divisíveis: 440 pode ser construído a partir de um cristal de 1 MHz por meio de divisores inteiros, enquanto 439 não pode.
A BBC foi seu próprio primeiro cliente, exigindo que suas orquestras afinassem pelo gerador, de modo que o padrão começou com os próprios concertos da maior emissora.
A formalização posterior pela ISO (R 16, 1955; ISO 16, 1975) consolidou uma realidade de fato em vez de ter de criar uma.
Um padrão imposto pela infraestrutura não precisa de polícia. Escolha o valor que seu equipamento pode gerar e distribuir, e a conformidade torna-se o caminho de menor resistência.
A ISO reafirmou o padrão em novembro de 1955 e janeiro de 1975, e a ISO 16 permanece a frequência de afinação de referência até hoje. Essa reafirmação repetida foi necessária porque, como observa Cavanagh, o diapasão local continuou a subir onde ninguém estava ouvindo o gerador: Leonard Bernstein afinou a New York Philharmonic em Lá 442, atraindo reclamações de afinadores de piano cujos instrumentos não conseguiam acompanhar, e conjuntos de música antiga afinam deliberadamente mais baixo. Mas o padrão mundial convergiu para 440 — uma decisão tomada na sede de uma emissora e levada por seus transmissores.
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As fontes
- A brief history of the establishment of international standard pitch a=440 hertz Croatian Music Information Centre (wam.hr) · wam.hr
- A440 (pitch standard) Wikipedia · en.wikipedia.org