A Índia produz cerca de 130 milhões de toneladas de leite por ano e, para muitas famílias de agricultores, o leite é, como disse o coinventor Sorin Grama, "literalmente como dinheiro líquido". O leite precisa ser resfriado algumas horas após a ordenha, mas a energia da rede nas aldeias muitas vezes funciona apenas algumas horas por dia, de modo que os centros de coleta ou queimavam diesel em geradores ou deixavam o leite estragar no caminho até o mercado. Sorin Grama e Sam White fundaram a Promethean Power Systems em 2007 para resolver isso, partindo de um projeto estudantil do MIT sobre geração de energia solar.

A rota solar fracassou tanto na economia quanto no timing: a solar só funciona de dia, enquanto o leite chega ao amanhecer e ao anoitecer, e os sistemas custavam mais do que as laticínios das aldeias pagariam. Em 2011, os fundadores inverteram a estratégia — parar de gerar energia limpa, começar a armazenar energia barata da rede. Um tanque de material de mudança de fase congela sempre que a rede está ligada, levando cerca de cinco horas de tempo de compressor para carregar, e o derretimento libera o frio depois. O leite despejado sobre o cilindro resfriado sofre um "choque térmico" que o faz cair de 35°C para 4°C.

A bateria armazena até 28 quilowatts-hora de frio sem diesel e sem painéis. Em janeiro de 2013, a Promethean assinou um contrato para 50 resfriadores com a Hatsun, a maior processadora de leite de propriedade privada da Índia, e criou uma joint venture indiana para fabricá-los; em meados de 2015, cerca de 150 sistemas operavam em toda a Índia e a primeira exportação havia chegado a Bangladesh. Um centro de coleta em Chetawala, no Rajastão, relatou uma economia de cerca de 40.000 rúpias (US$ 628) por mês em diesel, enquanto sua captação diária subiu de 500 para 800 litros.

Armazenar como gelo as poucas boas horas da rede elétrica

O leite é dinheiro líquido para as famílias de agricultores, e cada resfriador atende de 20 a 30 famílias, de modo que o desperdício destrói diretamente a renda doméstica.

A rede elétrica, e não o sol, era o insumo suficientemente confiável: ela aparece de forma irregular, mas aparece diariamente, e o armazenamento converte o irregular em contínuo.

O frio é a própria forma de energia do produto, então armazenar frio em vez de eletricidade contorna o componente mais caro de um sistema fora da rede.

O diesel era um status quo custoso — cerca de 40.000 rúpias por mês por centro — o que tornava o resfriador uma compra fácil para as processadoras de laticínios.

Quando um insumo crítico é intermitente, não conserte o fornecimento — armazene-o. A solar falhou não porque era fraca, mas porque a ordenha acontece ao amanhecer e ao anoitecer, fora da janela solar.

A Promethean continuou reduzindo o custo do sistema, acrescentou monitoramento remoto por celular para que as laticínios pudessem acompanhar cada unidade da aldeia e estendeu o mesmo armazenamento térmico para câmaras frias de frutas e legumes e para resfriadores de caminhões. Os resfriadores se espalharam pelas processadoras privadas de laticínios da Índia e, a partir de 2015, chegaram a Bangladesh. O veredicto dos próprios fundadores sobre a trajetória — de que a solução real "surgiu das cinzas" dos erros solares — fez do caso um item fixo no ensino de empreendedorismo em energia limpa.

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As fontes

  1. Novel Energy Storage to Chill Milk in Rural India MIT Technology Review · technologyreview.com ·
  2. A Better Way to Keep Milk Fresh MIT Technology Review · technologyreview.com ·
  3. How milk-chillers could revolutionise India's dairy industry World Economic Forum · weforum.org ·