Em 1971, John Adams, designer-chefe da Philips para unidades de exibição de vídeo, propôs colocar páginas de texto no intervalo de apagamento vertical da imagem de TV — as linhas que nada exibe. Sua especificação já tinha 24 linhas de 40 caracteres, seleção de páginas e subpáginas, e uma restrição rígida: precisava ser barata o bastante para um aparelho doméstico, o que a eletrônica de 1971 tornava genuinamente difícil.
As alternativas eram todas piores. Um serviço de viewdata por linhas telefônicas (que o GPO lançou como Prestel) exigia um computador central e uma conexão por telespectador; um novo espectro de dados exigia licenças e torres. A BBC demonstrou seu sistema Ceefax por cabo em 1972; o Oracle, rival da ITA, fez a primeira demonstração de teletexto transmitido ao vivo do mundo, a partir de Crystal Palace, em abril de 1973; o Ceefax entrou no ar em 23 de setembro de 1974 com trinta páginas e uma equipe editorial de nove pessoas.
Os dois serviços nasceram incompatíveis — o Ceefax usava páginas de 24×32, o Oracle, de 22×40 —, mas, em vez de uma guerra de formatos, concordaram com um único padrão de exibição de 24×40 em 1974, antes que qualquer um dos dois tivesse público comercial. A Especificação Conjunta de Teletexto para Radiodifusão veio em seguida, em setembro de 1976, da BBC, da IBA e da associação de fabricantes, e tornou-se o World System Teletext usado no mundo todo.
O sinal de TV já carrega linhas extras invisíveis
O espectro já estava pago: as linhas extras viajam dentro de um sinal que todo transmissor já enviava.
A transmissão unidirecional escala perfeitamente — o milionésimo telespectador custa o mesmo que o primeiro.
A memória barata no aparelho transformou uma taxa de dados lenta em recuperação de páginas que parecia instantânea.
A trégua de 1974 deu aos fabricantes de TV uma única especificação de decodificador anos antes de os aparelhos de teletexto se tornarem comuns.
Procure capacidade que existe e está sendo desperdiçada: o produto novo mais barato se apoia na infraestrutura que o incumbente já paga, e uma trégua de formato antes do lançamento vence uma guerra de padrões.
Os aparelhos decodificadores custavam cerca de £1.000 em 1976 e só alguns milhares existiam em 1977; após uma grande campanha promocional em 1981, havia dois milhões de aparelhos de teletexto em 1982, e em meados da década de 1980 o decodificador era opcional em quase toda TV europeia. Vieram depois as legendas acionadas pelo telespectador (o discurso de Natal da Rainha teve legendas a partir de 1979), o Prestel tomou emprestada a tela de 24×40 e a Philips fabricou milhões de chips de teletexto com o projeto de Adams. O próprio Ceefax transmitiu até 23 de outubro de 2012 — trinta e oito anos —, encerrando-se com a TV analógica.
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As fontes
- Teletext Wikipedia · en.wikipedia.org
- Teletext: "The First Widely Used Implementation of the Information Revolution" History of Information · historyofinformation.com