A SpaceX começou a pousar os propulsores do Falcon 9 em 2015 e a reutilizá-los em dois anos — o primeiro estágio abriga nove motores e cerca de metade do custo de fabricação do foguete. Restava a coifa de carga útil, duas metades compostas moldadas como papel machê, custando cerca de US$ 6 milhões o par. Elon Musk desafiou a equipe a capturá-las: "Você tem seis milhões de dólares caindo do céu."
Os engenheiros presumiram que as metades nunca poderiam tocar a água do mar — a corrosão salina arruinaria a eletrônica delicada —, então construíram uma recuperação elaborada: cada metade voava com um paraquedas de manobra que se guiava sozinho enquanto um sistema de controle automatizado virava o barco para fechar a distância. Capturou a primeira coifa em janeiro de 2020. "Funcionou. Conseguimos", disse Kiko Dontchev, vice-presidente de lançamento da SpaceX — mas não com regularidade: na maior parte do tempo o Atlântico é "uma bagunça agitada com ondas de 2 a 3 metros", e a taxa real de recuperação ficava abaixo de 50 por cento, em torno de 40, lenta o bastante para estrangular o ritmo de lançamentos.
A solução veio do algoritmo de design em cinco etapas da SpaceX — tornar os requisitos menos tolos, excluir a peça ou a etapa do processo, repetir, depois otimizar, acelerar, automatizar. Questionar o requisito mostrou que a premissa estava errada: as coifas compostas flutuam como um veleiro, e mover as peças sensíveis para mais alto significava que um mergulho não as mataria. Um navio padrão com um guindaste agora pesca as metades do oceano. O sucesso da recuperação subiu de cerca de 40 por cento para 99 por cento, o recondicionamento leva semanas, e a empresa agora tem mais coifas do que espaço para elas.
A etapa dois do algoritmo da SpaceX — excluir a peça — perguntou por que capturar afinal: as metades da coifa são barcos compostos; mova a eletrônica para cima e qualquer navio com guindaste as recupera.
O problema difícil era autoinfligido: "capturar antes do mergulho" era um requisito, não um fato, e excluí-lo reduziu uma pilha de automação de paraquedas de manobra mais barco perseguidor a um guindaste.
Projetar para mergulhos sobrevivíveis custou uma realocação da eletrônica — trivial perto de um navio de recuperação dedicado e de um encontro automatizado.
Uma taxa de recuperação de 40 por cento era um imposto sobre o ritmo de lançamentos; a 99 por cento, as coifas deixaram de ser uma restrição de agendamento por completo.
Quando a automação mal funciona, interrogue o requisito antes de ajustá-lo: o subsistema mais barato é o que você exclui, e "recuperar rápido" pode não precisar de "capturar no ar".
Em 2023, Dontchev descreveu as coifas como um detalhe resolvido — sempre prontas, mais do que a empresa tem espaço para guardar — e usou o episódio como seu exemplo prático do algoritmo de cinco etapas da SpaceX, a partir de uma palestra no programa Summit at Sea.
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As fontes
- Why did SpaceX give up on 'catching' falling fairings? Its VP of launch explains Ars Technica · arstechnica.com ·