Em 2008, David Lu se propôs a fazer a melhor pista de Line Rider de todos os tempos para uma competição comunitária com 96 participantes, com o objetivo de demonstrar domínio de todos os estilos de movimento que os bugs da física permitiam. O caminho óbvio era forçar mais o antigo editor da era Flash: ele virou a noite, apressou uma versão inacabada e sem cenários e a lançou como beta. Ainda assim, conquistou o primeiro lugar, mas a visão não estava completa, e o projeto o incomodou por uma década.

Por volta de 2010, a comunidade encolheu e as ferramentas se tornaram difíceis e tediosas. Em vez de se esforçar ou abandonar a pista, Lu trabalhou no próprio meio: estudou engenharia e depois arte, e recriou Line Rider repetidas vezes — em Python em 2011, um conceito web de galeria de pistas em 2014 e, por fim, uma recriação completa no navegador com tecnologias web modernas em 2015. Após anos de desenvolvimento e contato com os donos do jogo, essa recriação se tornou a versão oficial em linerider.com. Ele manteve em mente que a usaria para terminar Omniverse II.

A plataforma reconstruída mudou o que era possível desenhar. Uma ferramenta de curvas improvisada permitiu que ele expandisse sua grade por toda a pista e construísse poliedros com perspectiva; a programação ao vivo permitiu gerar proceduralmente as linhas da animação final, apoiada por um renderizador 3D rudimentar sem z-culling. Ele refez o último quarto do antigo beta, reciclou seções anteriores como narrativa e substituiu os monumentos planejados pela história de fuga da pista, com escrita na parede e um portal final.

Ele cumpriu o prazo do fim de 2019, onze anos após começar, concluindo o projeto e indo além de sua visão original. A colega Bevibel Harvey fez um vídeo-ensaio sobre a pista, e seu relato de making-of gerou uma discussão de 1.080 pontos no Hacker News em novembro de 2020, onde comentaristas descreveram o resultado como belo, completo e uma das mais incríveis expressões de paixão que já tinham visto.

Quando a ferramenta limita o trabalho, reconstrua a ferramenta

A ferramenta era o gargalo: a ferramenta de curvas e a geração procedural de linhas transformaram seções impossíveis de fazer à mão em trabalho que ele podia executar, de modo que reconstruir o editor destravou a obra.

O investimento se multiplicou: a mesma recriação no navegador se tornou a versão oficial em linerider.com, então a engenharia serviu aos donos do jogo e a toda a comunidade, não apenas a uma pista.

Uma plataforma que ele controlava o levou adiante: novas ferramentas e um prazo rígido tornaram viável um projeto enorme depois que o antigo editor o havia travado por anos.

A conclusão chegou diante de um novo público: pistas virais sincronizadas com música de 2016 e 2017 trouxeram Line Rider de volta à consciência cultural, então o trabalho concluído encontrou novos artistas.

Quando as ferramentas de uma plataforma limitam o que você pode construir, reconstrua a plataforma: as ferramentas que você cria para um projeto podem se tornar o produto, e o investimento se multiplica para você e para toda a comunidade.

Omniverse II foi concluída no fim de 2019, onze anos após as primeiras linhas serem desenhadas, e Rabid Squirrel (Bevibel Harvey) fez um vídeo-ensaio sobre ela. O relato de Lu sobre o projeto gerou 1.080 pontos e 149 comentários no Hacker News em novembro de 2020. Ele disse que nunca mais passaria tanto tempo em uma única pista, mas continuaria construindo e mantendo Line Rider — a versão no navegador que se tornara o jogo oficial — começando com controles de câmera e camadas de paralaxe para maior profundidade.

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As fontes

  1. I Spent 11 Years Working on This Line Rider Track Medium · delu.medium.com ·
  2. I spent eleven years working on this Line Rider track (Hacker News discussion) Hacker News · news.ycombinator.com ·