Na Alberto Dairy, em Hickman, Califórnia, o agricultor de terceira geração Anthony Agueda usa desde outubro de 2024 um sistema de vermifiltração da empresa chilena BioFiltro. O esterco é levado por lavagem a uma fossa, bombeado por peneiras mecânicas que removem a maior parte dos sólidos (compostados para cama ou fertilizante), e o líquido passa por tanques de decantação até um equipamento de irrigação que o asperge sobre leitos de cavacos de madeira e pedra de rio triturada, com cerca de um metro de profundidade e espalhados por uma área equivalente a seis campos de futebol. A água percola em cerca de quatro horas.

A MIT Technology Review relata que a BioFiltro afirma que mais oito sistemas desse tipo operam em fazendas leiteiras dos EUA e que 16 estão em construção ou previstos para o próximo ano, quase todos na Califórnia. O professor da UC Davis Frank Mitloehner estava cético quanto às alegações da BioFiltro, então estudou um sistema semelhante na Fanelli Dairy, em Hilmar; seu artigo de 2018 concluiu que ele reduziu as emissões de amônia da água tratada em cerca de 90%. A BioFiltro afirma que remove até 99% dos contaminantes da água residuária, e um estudo de 2022 financiado parcial ou totalmente pela BioFiltro e por um distribuidor regional concluiu que o filtro removeu quase 85% do nitrogênio.

Mitloehner duvida da importância das minhocas. Sua visão é que o leito poroso substitui as condições sem oxigênio de uma lagoa por condições ricas em oxigênio, de modo que os micróbios convertem compostos de nitrogênio em gás nitrogênio em vez de amônia, que pode se tornar nitratos poluidores das águas subterrâneas. O metano é onde as evidências se dividem: estudos apoiados pela empresa e por sua parceira concluíram que o filtro eliminou a maior parte da poluição por metano, enquanto o estudo independente de Mitloehner concluiu que as emissões de metano foram quase 85% maiores do que as da lagoa.

Trocar a lagoa de esterco sem oxigênio por um leito rico em oxigênio de cavacos de madeira e pedra de rio, onde minhocas e micróbios transformam o nitrogênio em gás inofensivo.

Uma lagoa de esterco é uma mistura sem oxigênio onde micróbios produtores de metano prosperam; o leito a substitui por um filtro aeróbio e poroso.

As peneiras mecânicas retiram os sólidos primeiro, de modo que os leitos só precisam tratar o líquido.

Agueda o escolheu porque é simples e relativamente barato em comparação com opções de alta tecnologia, à medida que as regras ambientais se tornaram mais rigorosas.

Os biodigestores anaeróbios, principal ferramenta do estado contra o metano, servem apenas a fazendas com cerca de 2.000 cabeças de gado ou mais, deixando a maioria das fazendas leiteiras em busca de outra solução.

Uma solução mais simples e barata pode atrair subsídios e adotantes enquanto as evidências ainda estão divididas; a leitura útil é o que foi realmente medido, como amônia e nitrogênio, e não o slogan.

A Alberto Dairy recebeu quase US$ 2 milhões de dois programas da Califórnia para esterco, que investiram mais de US$ 18 milhões em 15 projetos de vermifiltração, embora a maior parte do dinheiro dos programas tenha ido para sistemas de separação de sólidos. Pesquisadores disseram à revista que é necessário muito mais trabalho sobre os trade-offs e o desempenho de longo prazo em condições reais de fazenda.

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As fontes

  1. Why worms (and microbes) are catching on as a manure pollution solution MIT Technology Review · technologyreview.com ·