Um perfil da Rest of World conta como João Carlos Martins, o pianista brasileiro de 80 anos e um dos intérpretes de Bach mais aclamados do mundo, perdeu a função das mãos ao longo de décadas: distonia focal na adolescência, lesão grave por esforço repetitivo, uma lesão no nervo do braço em 1966 causada por uma queda durante uma partida de futebol no Central Park, um assalto em Sófia em 1996 que o deixou parcialmente paralisado, e 24 cirurgias, além de Botox e um dispositivo de estimulação neural implantado em seu córtex em 2012. Ele abandonou o piano de vez no início de 2019, depois que a 24ª operação destruiu a destreza da mão esquerda.

Em julho de 2019, numa parada da turnê em Sumaré, no interior de São Paulo, Martins abriu a porta do camarim e encontrou o morador local Ubiratan Bizarro, um designer industrial sem formação médica, segurando uma caixa. Bizarro tinha assistido à última apresentação de Martins na TV, maratonado vídeos de piano tirando capturas de tela dos movimentos das mãos dele e construído um primeiro protótipo que Martins classificou como adequado, no máximo, "para boxe". Convidado para um almoço, Bizarro estudou quais partes das mãos ainda funcionavam — os dedos conseguiam pressionar, mas não se levantar — e voltou ao YouTube para estudar mecânica automotiva e aerodinâmica.

Cinco meses e seis protótipos depois veio a resposta: meias-luvas de neoprene com hastes flexíveis de aço conectando os dedos ao dorso da mão. Sempre que Martins pressionava uma tecla, cada haste fazia o dedo voltar ao lugar. Sua equipe médica aprovou imediatamente — como a condição dele se origina no córtex, as luvas não poderiam agravá-la — e no Natal de 2019 Martins tocou um noturno de Chopin com todos os dez dedos pela primeira vez em 22 anos, compartilhando o vídeo no Instagram, onde ele atraiu uma enxurrada de comentários emocionados.

Não trate a doença neurológica; conserte a mecânica: meias-luvas de neoprene com hastes flexíveis de aço fazem cada dedo voltar a se levantar após uma tecla pressionada.

Duas décadas de medicina trataram o córtex; ninguém tinha tratado a mola de retorno ausente dos dedos.

O estudo leigo da mecânica de suspensão da Fórmula 1 encontrou o circuito que os cirurgiões deixaram passar.

O dispositivo é aditivo, não corretivo, então os médicos puderam aprová-lo sem risco.

O problema foi reformulado de cura para contorno, o que o colocou ao alcance de um amador.

Quando a causa raiz é intratável, faça uma engenharia em torno dela: um contorno mecânico barato pode superar décadas de medicina de alta tecnologia se atingir o menor circuito físico quebrado.

Martins voltou a tocar e a publicar recitais on-line, alcançando novos públicos depois que celebridades americanas como Rex Chapman compartilharam os vídeos; seu cirurgião enfatizou que as luvas são um contorno, não uma cura.

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As fontes

  1. How an acclaimed pianist got his hands back Rest of World · restofworld.org ·