Por volta de 2015, as televisões 4K chegavam com duas formas concorrentes de entregar high dynamic range. O Dolby Vision, licenciado por dispositivo junto à Dolby, usava metadados dinâmicos para fazer a gradação cena a cena. O HDR10 era a alternativa aberta: metadados estáticos, livre de royalties, simples o bastante para qualquer chipset. Fabricantes de TVs e estúdios enfrentavam um mercado em divisão — e a decisão que o resolveu foi tomada onde a cadeia de suprimentos do vídeo premium era definida: o disco.

Em 12 de maio de 2015, a Blu-ray Disc Association anunciou que havia concluído a especificação do Ultra HD Blu-ray, com high dynamic range incorporado. O formato HDR que ela tornou obrigatório foi o HDR10: todo disco Ultra HD Blu-ray e todo player devem suportá-lo, enquanto o Dolby Vision — e, mais tarde, o HDR10+ da Samsung — são aprimoramentos opcionais que os estúdios podem adicionar. Como o formato de disco ancora a masterização dos estúdios e a fabricação de players, essa única linha na especificação fez do HDR10 o piso de todo o ecossistema de vídeo 4K: todo master o carregava, todo player o decodificava, toda TV era calibrada para ele.

A Dolby não perdeu a guerra de formatos tanto quanto foi reposicionada por ela. O Vision permaneceu o nível premium — "vendido como um formato HDR premium em comparação com o HDR10", como colocou o FlatpanelsHD —, suportado por dispositivos da Apple, LG e Sony, mas como uma opção sobreposta à base gratuita, e não como o pedágio diante dela.

Tornar obrigatório o piso gratuito, vender o teto

Um formato físico vive de interoperabilidade garantida, e uma base obrigatória é a única forma de prometer que todo disco toca em toda TV.

O HDR10 não tem taxa de licenciamento, então um formato gratuito na posição obrigatória evitou taxar todo o ecossistema de hardware na entrada do formato.

Metadados estáticos rodam em chipsets baratos, então nenhum fabricante de player ou de TV ficou de fora por preço da conformidade.

Os estúdios ainda podiam cobrar pelo Dolby Vision premium por cima do piso, então os donos de formatos com tecnologia paga tinham um lugar na pilha — acima dela.

Para tornar um formato universal, coloque-o onde todos precisam tê-lo — e torne-o gratuito. Mantenha aprimoramentos licenciados como opcionais por cima; um padrão que taxa a adoção limita seu próprio alcance.

O HDR10 tornou-se o HDR padrão do Blu-ray 4K e, carregado pelos mesmos masters, da maioria dos catálogos de streaming. O Dolby Vision manteve o nível premium no hardware da Apple, LG e Sony, e a Samsung respondeu em 2017 com seu próprio formato gratuito de metadados dinâmicos, o HDR10+, que a BDA mais tarde aceitou como mais uma camada opcional. A regra que o episódio demonstrou — manter o padrão gratuito e universal, monetizar acima dele — tornou-se o modelo pelo qual toda disputa de formatos posterior passou a ser avaliada.

CONFIRA AS EVIDÊNCIAS

As fontes

  1. Blu-ray Disc Association Completes Ultra HD Blu-ray Specification and Announces Licensing Plans Blu-ray Disc Association (press release) · us.blu-raydisc.com ·
  2. Ultra HD Blu-ray disc specification and logo are official What Hi-Fi? · whathifi.com ·
  3. Blu-ray 4K UHD will be the end of physical media formats Pocket-lint · pocket-lint.com ·