Na década de 1980, o mundo dos padrões formais alinhou-se atrás do OSI (Open Systems Interconnect), um conjunto de protocolos totalmente especificado, produzido pelo processo internacional da ISO. Era apoiado pelos monopólios telefônicos europeus e pela maioria dos governos, que eram legalmente obrigados a comprar equipamentos OSI, e era a escolha racional: completo, rigoroso, padronizado de antemão por comitês. O TCP/IP da internet era o azarão — definido apenas por uma comunidade autogovernada de voluntários, sem mandato, sem votação, sem posição em qualquer órgão oficial.
Uma disputa direta pelas regras das instituições de padronização era impossível de vencer. O OSI tinha os votos, a oficialidade e os mandatos de compra; o TCP/IP quase não tinha nada. Qualquer avaliação ao estilo de comitê dos dois por legitimidade, representação ou posição burocrática entregaria o campo à ISO antes que uma única implementação fosse lançada.
Em vez de contestar o OSI em seu próprio terreno formal, os engenheiros da internet recusaram-se a votar. Em 1992, a IETF havia tornado explícito um princípio de governança que David Clark nomeou numa palestra daquele ano: 'Rejeitamos reis, presidentes e votações. Acreditamos em consenso aproximado e código em execução.' Um padrão era definido não por uma votação sim/não, mas por se gente suficiente o havia de fato construído e executado — o código em campo, e não o número de delegados na sala, era o árbitro.
A IETF recusou-se a votar, definindo padrões por consenso aproximado e código em execução: o que já estava implantado, e não as votações, tornou-se o árbitro.
O código em execução é observável e já está implantado, então vence pela adoção enquanto o rival ainda está sendo especificado.
Cada nova implantação de TCP/IP age como um voto, então o critério se acumula numa única direção.
A completude do OSI tornou-o complexo demais para terminar, deixando pouco código em execução, enquanto o TCP/IP estava ativo em milhares de redes.
Quando dois padrões entram em impasse, não vote — conte qual deles já funciona em campo e deixe que isso decida.
O OSI tinha complexidade demais e código em execução de menos, enquanto o TCP/IP já estava ativo em milhares de redes — então venceu pela adoção, não pelo voto. Em meados da década de 1990, o TCP/IP prevaleceu e o OSI perdeu discretamente. Consenso aproximado e código em execução não venceram apenas uma batalha — tornaram-se a norma de governança da padronização da internet, levada da IETF para o W3C e para a maioria dos processos de colaboração aberta desde então. O mecanismo sobreviveu aos protocolos específicos que primeiro o provaram.
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As fontes
- IEEE Annals of the History of Computing — 'Rough Consensus and Running Code' and the Internet-OSI Standards War (A.L. Russell) IEEE · doi.org
- Computer History Museum — Networking revolution: the protocol wars Computer History Museum · computerhistory.org