No final de 2004, a EFF começou a alertar que muitas impressoras a laser coloridas imprimem pontos amarelos quase invisíveis em cada página — um código de identificação da máquina que pode vincular um documento à impressora que o produziu. Documentos que a organização obteve por meio da FOIA sugeriam que grandes fabricantes haviam firmado um acordo secreto com governos para manter viável esse rastreamento forense, enquanto as pessoas que usavam as impressoras não tinham como saber que sua produção era marcada.
A resposta da EFF foi tornar o segredo mensurável. Sua equipe de pesquisa decifrou o código por trás dos pontos — segundo o relato da organização em 2005, o Serviço Secreto dos EUA admitiu a informação de rastreamento — e o projeto recrutou voluntários em cerca de uma dúzia de países, de empresas de software e orquestras a escolas públicas, laboratórios de física e sorveterias, para testar impressoras imprimindo uma página e examinando-a sob luz azul ou microscópio.
O projeto publicou uma lista de centenas de modelos a laser coloridos marcados como sim, não ou incerto, cada entrada respaldada por quem a testou e como, e cada "não" ressalvado: significava apenas que nenhum ponto amarelo era visível, não que a impressora estivesse limpa. Os fabricantes foram convidados a se manifestar oficialmente, e a página observava que existiam outras técnicas de marcação forense que a EFF ainda não conseguia detectar.
A lista tornou-se a referência sempre que o rastreamento de impressoras voltava à tona. Uma resenha do Government Computer News chamou os códigos de rastreamento da HP de "um programa espião secreto"; quando o The Intercept publicou um documento escaneado da NSA em junho de 2017, jornalistas e especialistas apontaram os pontos amarelos produzidos por uma impressora Xerox DocuColor; e um aviso acrescentado à página naquele ano dizia que era mais seguro presumir que todas as impressoras a laser coloridas recentes codificam algum tipo de código forense.
Decifrar os pontos e publicar uma lista colaborativa de sim/não, tornando um esquema de rastreamento encoberto publicamente testável
Uma página impressa e uma luz azul custam quase nada, então voluntários no mundo todo podiam testar muito mais modelos do que um único laboratório jamais conseguiria.
Uma lista pública de sim/não transforma boato em linhas verificáveis: qualquer proprietário pode verificar um modelo, e uma entrada errada é refutável.
Publicar o método de decifração quebrou o monopólio da informação que mantinha o rastreamento invisível para as pessoas rastreadas.
Ressalvas honestas — "não" não significa limpo — mantiveram a credibilidade do projeto junto a jornalistas e especialistas, em vez de soar como alarmismo.
Nomes concretos de modelos deram à imprensa ganchos como a resenha do GCN sobre o "programa espião secreto" e o documento do Intercept, mantendo o assunto vivo por mais de uma década.
Uma capacidade secreta de vigilância perde força quando você a torna verificável: decifre o mecanismo, recorra ao crowdsourcing para os testes e publique um inventário que force a negação ou o silêncio a se tornar dado.
A lista da EFF tornou-se a resposta canônica para "minha impressora me rastreia?". A EFF protocolou pedidos de FOIA sobre o uso dos pontos por agências e publicou quase 9.000 páginas de documentos governamentais em uma ação da Sunshine Week. O Government Computer News chamou os códigos da HP de "um programa espião secreto"; quando o The Intercept publicou um documento escaneado da NSA em junho de 2017, os jornalistas se concentraram nos pontos da Xerox DocuColor. O aviso final da EFF: presuma que todas as impressoras a laser coloridas recentes imprimem algum código forense, visível ou não. A lista não é mais atualizada; sua discussão no Hacker News atraiu 586 pontos e 210 comentários em junho de 2017.
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As fontes
- List of Printers Which Do or Do Not Display Tracking Dots Electronic Frontier Foundation · eff.org
- List of Printers Which Do or Do Not Display Tracking Dots — Hacker News discussion Hacker News · news.ycombinator.com ·