Em 2016, um contêiner puxado por burro, com quatro telas LCD movidas a energia solar, entrou em Funhalouro, em Moçambique, conforme noticiou a BBC News em 2019. O fundador Dayn Amade diz que o show itinerante busca fazer de cada visita uma festa: a música atrai a multidão e, em seguida, um filme de três minutos é exibido na maior tela. Muitos na plateia nunca tinham visto uma tela ou imagens em movimento. Depois, as pessoas respondem a perguntas em tablets menores com tela sensível ao toque, com diagramas para quem não sabe ler, e os melhores colocados ganham camisetas e bonés.
Amade, nascido em Moçambique, teve a ideia ao ver seus dois filhos aprenderem com tutoriais do YouTube. Ele argumenta que dar um tablet a cada pessoa é impossível porque é caro demais e os beneficiários podem vendê-lo, e a BBC observa que o programa One Laptop Per Child não cumpriu suas promessas. O projeto obtém recursos de ONGs, que vinham usando palestrantes e panfletos: "Se as pessoas recebem um panfleto, elas o jogam fora", diz ele. Amade afirma que o equipamento é "seguro e robusto" e "não pode ser quebrado nem roubado".
Amade diz que aprendeu com os erros: uma animação sobre higiene contra a cólera ofendeu uma comunidade majoritariamente muçulmana ao mostrar a mão direita usada para a limpeza, então todo o conteúdo agora é apresentado primeiro a antropólogos e psicólogos da Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo.
Dispensar a posse de um aparelho: levar uma tela compartilhada à aldeia em um burro, abrir com música e depois testar a plateia sobre o que viu.
Aparelhos individuais são caros e podem ser revendidos, então o tablet fica com o projeto.
Música e clima de festa enchem a plateia antes de um tema tão árido quanto letramento digital.
Um quiz com prêmios força a atenção e informa às ONGs se a mensagem foi assimilada.
Perguntas com diagramas permitem a participação de quem não sabe ler.
A pré-avaliação do conteúdo com antropólogos evita ofender comunidades específicas.
Quando os aparelhos individuais são caros demais ou acabam sendo vendidos, uma tela compartilhada, resistente e divertida, com um teste embutido, pode alcançar pessoas que os panfletos nunca alcançam.
Até 2019, Amade havia passado cerca de três anos visitando 90 comunidades remotas em Moçambique. Ele relata (autodeclarado, conforme informado à BBC) que uma campanha de educação cívica foi seguida de um comparecimento eleitoral 45% maior, uma campanha de planejamento familiar, de um aumento de 27% na procura por contraceptivos nos centros de saúde, e uma campanha de inclusão financeira, de 68% mais novas contas bancárias. O Community Tablet tem patente no Reino Unido, e ele buscava licenciá-lo em franquia, entrar em áreas urbanas e testar orientação profissional em escolas.
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As fontes
- The tablet computer pulled by donkey BBC News · bbc.com ·